Saímos de Belém ainda pela manhã (ver post anterior), e pegamos muita estrada de asfalto até Novo Repartimento-PA. Dormimos no Hotel Novo Colina, café da manhã bom, ar condicionado e preço justo. Acordamos e seguimos viagem. A partir dali seguimos pela BR230 (Rodovia Transamazônica).

Andamos um bom trecho por asfalto, passando por Altamira, Brasil novo e Medicilândia. Paramos em fábrica de chocolate, compramos alguns e pegamos dicas. Seguimos. Dali em diante, só terra e chuva forte. Talvez pela expectativa que criamos, a estrada estava razoável, apensa meio lisa e algumas poças. A Jubiraca aguentou o tranco. De Medicilândia até Uruará são 105 km de estrada de terra.



Chegamos em Uruará no final da tarde. Ali vi que um dos faróis de milha da Jubuiraca caiu no caminho. Parei numa auto elétrica, e ganhei um farol de milha véio, meia boca, mas instalei ele e funcionou de boa. Em Uruará ficamos no Dalla Hotel. Aliás, muito bom. Muito limpo e novo, ar condicionado, frigobar, café da manhã top por $130 o casal. Talvez o melhor café da manhã da viagem

Acordamos cedo, e pegamos estrada. Fomos por um ramal da Transamazônica chamado Chapadão, que corta caminho rumo a Santarém. A estrada, de terra e em piores condições, tinha poças gigantes e muito barro, mas a viagem foi tranquila. 215 km de estradas de terra, e umas 4h de viagem. Ali vimos as imensas castanheiras (de castanhas do Pará), e tiramos algumas fotos. Chegamos em Santarém/PA na hora do almoço.

Andamos um pouco na orla (centro) e conhecemos uma galeria de artesanato. Almoçamos um prato feito em um restaurante bem simples, e visitamos o Museu Municipal. Passeio guiado gratuito, muito legal!







Mais tarde fomos na praia e Lago Carapanari. Legal, demais. Bem limpinha, areia branca e árvores legais. No finalzinho da tarde ainda visitamos o Mercado de Peixe, na orla de Santarém.






Passamos a noite em um hotel razoável, acordamos e saímos conhecer algumas praias da região. Como na maior parte das praias famosas do Brasil, infelizmente muitas das praias de Santarém já estão fechadas por casas de veraneio e condomínios. Rodamos bastante procurando praias possíveis de ser visitadas, até o início da tarde. Uma que conseguimos visitar, muito bonita por sinal é a Praia de Pajuçara.


Saímos então para o último (e um dos melhores) destinos da nossa viagem: Alter do Chão/PA!
Em Alter do Chão, como já estávamos no final da viagem, e bem cansados, ficamos em uma pousada boa, para descansar e curtir com mais calma, 4 dias. Lá nos hospedamos na Pousada Encantos da Amazônia.

O primeiro local que conhecemos dando uma volta pela vila de Alter do Chão, foi a loja de artesanatos Araribá. Essa loja é com certeza a mais interessante e autêntica que já conheci. A loja tem vários cômodos, e é repleta do chão ao teto (literalmente) de artigos indígenas, dos mais variados, de vestes até armas, de diversas etnias. Tudo produzido com matéria prima natural. Voltamos mais duas vezes lá 🙂


Assim como Santarém, Alter do Chão fica às margens do Rio Tapajós, e tem a poucos metros de distância uma pequena ilha de areia branca com praias lindas e quiosques, a Ilha do Amor, o principal ponto turístico da cidade. E próximo à orla também tem uma feirinha com barracas de comidas típicas, bares e restaurantes.



Aproveitamos bastante a praia, e também a pousada. No terceiro dia que ficamos em Alter, agendamos uma trilha guiada na Floresta Nacional do Tapajós. Como de costume, escolhemos um guia que entende de plantas 🙂
No caminho da FLONA passamos pela cidade de Belterra, que, assim como a conhecida Fordlândia, foi fundada no meio da floresta, por Henry Ford para retirar o látex das seringueiras. Ali moravam os trabalhadores, e, na cidade ainda é possível ver casas de madeira do Ciclo da Borracha.

Chegamos na portaria cedinho com o carro, e a partir de lá seguimos o passeio, nós dois e o guia. Ali tivemos uma idéia da grandiosidade da Floresta Amazônica. Que diversidade de plantas e animais!

Ali, vimos ao vivo árvores centenárias e colossais que só conhecíamos de nome, como o cumaru, pequiá, tauari… O guia conhecia um absurdo de plantas, e eu, perguntando de tudo.


Vimos seringueiras nativas, e muitas outras árvores interessantes. Tivemos também a experiência de comer castanha do pará que o guia abriu com um facão, embaixo de uma castanheira

O atrativo principal da trilha é para fechar com chave de ouro: Uma Sumaúma milenar, a “vovó” da floresta. Quando chegamos ficamos impressionados com o tamanho dela. Ficamos descansando e contemplando por um bom tempo. Enquanto descansávamos, nosso guia ainda fez uma bolsa com folhas de palmeira. Incrível, né?


Voltamos a trilha, nadamos em um riozinho, pegamos um pouco de chuva e no final da trilha, conforme combinado, almoçamos na casa de um nativo. Peixe! Voltamos para a pousada e descansamos o resto do dia.



No último dia em Alter do Chão, ficamos na prainha, bem de leve, descansamos para começar a viagem de volta. Chegou a noite, dormimos e acordamos cedinho. Pé na estrada. Nesse dia dirigi incríveis 837km (11h) até a cidadezinha de Castelo dos Sonhos/PA. Dormimos em uma pousadinha e no dia seguinte, mais estrada.

No dia seguinte, dirigi muito também. Programamos de chegar em Cuiabá/MT por volta das 19h para jantar em um rodízio de peixes. Bom, não foi bem assim.
Perto de Lucas do Rio Verde/MT paramos em um engarrafamento de 15km na rodovia. Tinha tombado uma carreta de soja. Isso ia atrasar nossa viagem. Aí tivemos a brilhante idéia de descer o barranco com o carro e ir beirando a estrada pelo matagal do lado da estrada, que até então era uma ótima opção para fugir do engarrafamento. Descemos o barranco e começamos a seguir pelo matagal. Tudo tava indo bem, e eu até comecei a gostar da brincadeira e correr um pouco mais, já que o chão era plano. O problema é que o mato estava alto, e eu não vi uma pedra gigantesca no caminho. BLAM!!! Passei em cima de uma pedra de uns 50cm de altura, a Jubiraca saiu do chão com o solavanco. Quando passou a adrenalina, paramos o carro, e já achei que a viagem tinha acabado ali.

A pedra pegou bem no meio das rodas (se a roda passasse por cima da pedra, com certeza teríamos capotado). Já no início da fila do engarrafamento, entrei embaixo do carro e vi o estrago. Os parafusos do protetor de cárter quebraram, amassou a travessa e quebrou o coxim do câmbio, amassou o protetor e o tanque de combustível.
Felizmente todo esse estrago não nos impediu de seguir viagem. Ah, e conseguimos cortar o engarrafamento. Paramos um pouco em Lucas do Rio Verde pra avaliar melhor o estrago (sem sucesso), seguimos em frente e por volta das 21h chegamos em Cuiabá, e sim, fomos no rodízio de peixe no Restaurante Lélis! Recomendo, maravilhoso!

Ah, e o final da viagem foi esse. Voltamos pra casa com mais uma viagem sensacional e muitas histórias pra contar!
