Mais uma viagem doida nossa1 Eu e a Michelle, de Jubiraca (Hilux SW 95) pela América do Sul. Dessa vez, conhecemos um país novo, Peru!!! Claro, não conhecemos tudo o que planejamos, mas, com um mês de viagem, vimos muuuita coisa legal, passamos uns perrengues, etc. Planejamos a viagem durante o ano todo, usamos nossas economias, muita coragem, e pé na estrada!!! Fiquei com a bunda quadrada de tanto dirigir, afinal, foram 30 dias e 14.000km bem rodados… com muuuuitas curvas e todos os climas e terrenos possíveis.

Como nossa experiência de carro na Bolívia em 2016 não foi das melhores, decidimos rodar mais e ir pelo norte do Brasil. Aliás aproveitamos pra conhecer mais dois estados, Rondônia e Acre!
Depois de uma revisão na Jubiraca e uma boa arrumação de malas, saímos na manhã do dia 18 de dezembro. Nos primeiros dias de viagem paramos pouco, somente pra abastecer, comer e dormir. No primeiro dia rodamos literalmente o dia todo (917km) até Alto Taquari-MT. Ali dormimos em uma pousada bem “meia boca”, e cara… Aliás, a cidade tem poucas opções de hospedagem, a maioria bem cara.
Dia seguinte, rodamos novamente o dia todo. Já à noite, paramos pra dormir em Cáceres-MT. Aliás, em Cáceres tem mais opções de hospedagem. Passamos raiva em um hotel onde o ar condicionado do quarto não gelava (indispensável no calor de lá), e mudamos de pousada. Dica – Sempre confira se o Ar condicionado e chuveiro funcionam bem antes de se hospedar em um lugar. Dia seguinte, saímos cedo novamente e mais estrada! Entramos em Rondônia, e no finalzinho do dia paramos para dormir em Ji-Paraná. Um hotelzinho simples perto da rodoviária, mas bem limpinho e arrumadinho.
Dia seguinte, seguimos mais um pouco e chegamos em Ariquemes-RO. Ali paramos na feira, enorme! Ali tem de tudo! Açai, peixe, castanha, farinha, frutas, carnes, etc, etc. Sempre que temos oportunidade, paramos para conhecer Feiras e Mercados Municipais. Amamos esses tipos de passeio!


Rodamos mais cerca de 3h para chegar em Porto Velho, capital rondoniense. Aliás, vale uma observação. A viagem toda, desde Botucatu (interior de SP) até Lima, no Peru a estrada é asfaltada, em bom estado, bem sinalizada e quase sempre pista simples. Em Rondônia, passamos por vários pedágios “FreeFlow”. Lembrando que no Brasil percorremos os estados SP-MS-MT-RO-AC.
Em Porto Velho paramos para almoçar no restaurante Casa do Tambaqui. Sério, vale muito a pena. Acho que um dos melhores peixes que já comemos! Tambaqui assado, com vinagrete, farofa e arroz com tucupi. Dá água na boca de lembrar!

Saímos e de lá e visitamos quase ali na frente o Complexo Ferrovia Madeira-Mamoré . O local é um grande parque ferroviário desativado (e restaurado) como centro cultural, museu e parque de uso público, com locomotivas, máquinas e galpões, à beira do Rio Madeira que remete à época da Ferrovia. Entrada gratuita, e passeio indispensável em Porto Velho!



Começou a chover… Aliás, região amazônica, chove muito essa época do ano! Mas pra não perder passeio, ainda fomos visitar as Três Caixas d’Água. Localizadas em uma praça na parte alta da cidade. Muito antigas (1912), foram trazidas dos Estados Unidos e abasteceram a cidade até a metade do século passado. Ainda tentamos visitar o Memorial Rondon, mas a chuva ficou mais forte, e como o local é aberto, ficou complicado. Demos uma rodada de carro pela cidade, e acabamos parando para dormir no Guajará Hotel. Pelo preço, qualidade razoável.

Dia seguinte, paramos trocar o Óleo e filtros da Jubiraca… e mais um dia de estrada. E dessa vez foi forte! Saímos de Porto Velho de manhazinha, saímos de Rondônia e cruzamos todo o Acre (mais de 800km) até Assis Brasil-AC, já na divisa com o Peru. Chegamos quase à noite, paramos na Aduana Brasileira e já fizemos a documentação de saída (passei a fronteira com o RG vencido, morrendo de medo de não conseguir entrar no Peru). Mas deu certo. Saída liberada!

Dali fomos até a cidade vizinha, Já no Peru, chamada Iñapari, e também fomos até a aduana peruana para já ajeitar a documentação para o dia seguinte. Adiantamos algumas coisas, mas como já havia acabado o turno na imigração, acabamos deixando pra resolver o restante no dia seguinte. E também trocar dinheiro e fazer o SOAT, que é um seguro obrigatório para carros estrangeiros no Peru.
Voltamos para Assis Brasil (as duas cidades ficam coladas uma na outra), comemos um PF numa lanchonete (acho que a única aberta na cidade), e dormimos no Hotel Bela Vista.O local é simples, mas bem limpo e arrumadinho. Tem café da manhã, chuveiro quente e ar condicionado. O Sr. Arquimedes, proprietário é super gente boa, ficamos conversando um bom tempo.
Dia seguinte, partiu Peru! Passamos novamente por Iñapari, trocamos dinheiro e fizemos o Seguro SOAT. Tudo meio informal, nas lojinhas perto da aduana, rs. Passamos pela imigração, pela aduana e entramos tranquilo no Peru. Continuamos na Rodovia Interoceânica (já estávamos nela desde Cuiabá-MS), bem sinalizada e com asfalto bom (pista simples).

Na selva Peruana (ainda região Amazônica), pegamos muita chuva. Paramos um pouco pra fotografar uma cachoeira linda na beira da estrada (não lembro o nome, rs). Rodamos bastante, e a partir daí começou uma série de perrengues. Depois da fronteira rodamos cerca de uma hora, e as marchas da Jubiraca começaram a enroscar. Putz! Acabamos de entrar em um país estrangeiro, no meio da selva (pouquíssimas cidades), e começa a dar problema… vish!


Fui sofrendo e quase sem mudar marcha por mais uma hora, paramos em um posto de combustível em uma cidadezinha. Liguei para o meu mecânico de Botucatu, conversei, completei o fluido da embreagem e seguimos. Melhorou, mas dali uma meia hora voltou a enroscar. Já era quase hora do almoço e paramos em uma oficina mecânica em Puerto Maldonado. Chegamos na oficina, sem brincadeira, tinha uns 30 carro arrumando ali. Já pensei “perdemos a viagem, vamos ter que ficar aqui um mês). Detalhe: era 23 de dezembro.

Um mecânico, tudo sujo de graxa saiu lá do meio, deu uma olhada na Jubiraca, e coisa de 10 minutos já achou o problema. Ainda bem que era algo simples: Problema no cilindro auxiliar da embreagem. Como era hora de almoço deixamos o carro lá e fomos num restaurantinho comer. Comida boa e barata. Bem saborosa, gastamos tipo R$15 os dois, PF com suco e sobremesa!

Voltamos na oficina, o mecânico pegou a peça na loja da oficina (tinha a peça lá, que maravilha!), e sei que em menos de duas horas já estava tudo resolvido, e detalhe, por R$30,00. Top, né? Rápido, honesto e barato!
Bora seguir viagem! naquele dia rodamos mais cerca de 8h até chegar à noite na cidade de Mazuko, com um pouco mais de estrutura. Detalhe importante: No Peru, se perde muito tempo nas estradas, pois são muuuuuitas curvas. Um trecho de 200km às vezes chega a demorar 6 horas para percorrer, especialmente quando se está na região da Cordilheira dos Andes! Outra coisa, o trânsito lá é CAÓTICO. Cada um por si!

Paramos para dormir no Hotel Señor de La Cumbre, em Mazuko, na beira da estrada. Hotel bom, com preço bom, limpinho e tudo. Maaas, quando fomos tomar banho, era água fria! Bom, engolimos o sapo e tomamos banho frio mesmo. Mas fica a dica novamente: Pergunte se o chuveiro DO SEU QUARTO é com água quente!

Seguimos viagem saindo de Mazuko, e aí o bicho pegou. Começamos a subir a Cordilheira dos Andes! Mazuko, de onde saímos, ainda na selva peruana, está a apenas 350 metros de altitude. Após cerca de 250 km de subidas incessantes e intermináveis curvas, chegamos ao trecho chamado Abra Pirhuayani, no topo da cordilheira, com 4.725 metros de altitude!!! Depois, fui saber que esse é o ponto mais alto do Peru onde passa uma rodovia!

Bom, aqui vai um parêntese importante: Quanto maior a altitude, menos oxigênio. Isso não é novidade, inclusive sentimos muita dor de cabeça nesse trecho. Mas quem mais sentiu essa diferença de altitude foi a Jubiraca.
Carros modernos, com injeção eletrônica, não sentem tanto essa mudança de altitude, pois o motor “compensa” o equilíbrio entre oxigênio e combustível na queima. Em carros antigos, como a nossa Hilux 95 com injeção mecânica, o oxigênio que entra para a queima é pouco, e faz com que o motor perca muita força e esquente muito. Quando chegamos ao pico com os mais de 4.000 metro de altitude, paramos no acostamento, abri o capô e o radiador estava borbulhando (e olha que tava muuuuito frio)! Enfim, deixei o carro dar uma esfriada e completei a água do radiador que já estava bem baixa. Nisso, saiu um tiozinho camponês com a esposa de dentro de uma casinha de pedra e começou a puxar assunto com a gente. no começo, começou a falar em uma lingua que não entendemos. Depois, disse que era Quéchua! Conversamos um pouco em espanhol, ele disse que sempre para alguém ali com o motor fervendo kkkkkk…. Nos deu um punhado de folhas de coca e se despediu. Menos mal que agora era descida kkkk!Descida, mas com subida. A cordilheira é um eterno sobe e desce, curvas e curvas, penhascos, e paisagens incríveis. Naquela altura já tínhamos visto lhamas, picos nevados, casas de pedra, muita coisa legal. Mais adiante, passando uma cidadezinha chamada Quincemil, a temperatura do motor começou a subir de novo. E vai nós dois parar novamente no acostamento, esperar o motor esfriar e completar a água do radiador. Essa hora fiquei encanado. Voltamos para a cidadezinha e parei em uma oficina (detalhe, era dia 24/12 à tarde e estava tudo funcionando!) Muito carro por lá também.
Deixamos o carro lá, almoçamos (aliás a comida peruana é boa demais!), voltamos e o mecânico olhou, abriu o radiador, soprou uma mangueira e nos mostrou um probleminha… a tampa do radiador tava vazando. PQP! Mais essa!
E olha que beleza. O cara tinha a tampa nova na oficina! E cobrou tipo R$30 pra trocar. No peru tem MUITO carro da Toyota, e muita Hilux. Descobrimos da pior forma que lá tem bastante peça!


Já à tarde, seguimos viagem de novo. Rodamos mais algumas horas e chegamos por volta das 17h em Urcos, ainda na região dos Andes. Ficamos no hotel Hospedaje La Estancia (bom, limpinho, com preço ok, garagem – e chuveiro quente!). A Michelle estava com muita dor de cabeça e náusea por causa da altitude e ficou no hotel. Eu saí a pé e fui na feira dar um rolê, comprei umas frutas diferentes e umas cervejas (afinal era véspera de natal!).




Voltei para o hotel, ainda comprei um Pollo a La Brasa (frango assado) em um restaurante ali perto, jantei, de boa. À noite ainda dei uma boa estudada em “como dirigir carro um aspirado em locais de grande altitude” (o que melhorou muito nossa viagem, rs), e decidimos mudar um pouco o roteiro de nossa viagem devido às chuvas intensas na região de Cusco. Resolvemos ir para Arequipa, fazer o litoral, depois Ayacucho e por último a região de Cusco.

Ufa! Continuamos no próximo post!!! FELIZ NATAL!!!
