Saímos de Andahuaylas, e pegamos a estrada rumo a Cusco. Viajamos quase o dia todo, paramos para almoçar e abastecer. Chegamos a Cusco no final da tarde. Uma recomendação para quem for circular em Cusco é que não o faça de carro. Obviamente, por ser uma cidade antiquíssima, as ruas são bem estreitas e no centro histórico o calçamento é todo de pedra. E o trânsito, como sempre, caótico.


Como estávamos cansados, fomos procurar hospedagem. Acabamos nos hospedando no Hotel del Prado Homwtown. Relativamente próximo ao Centro Histórico, com garagem, café da manhã, bem confortável e preço justo (levando em consideração que os preços lá são bem acima do restante dos lugares que visitamos).

Acordamos cedo, tomamos café da manhã e fomos para Pisac. Um dos mais importantes sítios arqueológicos incas da região de Cusco. Em Cusco ou nas várias ruínas do Vale Sagrado, é possível comprar um Boleto Turístico que dá acesso a 16 atrativos entre ruínas e museus. Vale a pena comprar.


Após 1h de estrada (33km), chegamos a Pisac. Há uma pequena cidade, e mais adiante as ruínas. Deixamos o carro no acostamento, paramos na guarita (onde compramos o Boleto Turístico) e entramos no parque. Acho que faltam palavras pra descrever as paisagens que vimos or lá. Machu Picchu é apensa uma das ruínas incas maravilhosas da região. Pisac mesmo, foi um dos mais interessantes.

Enorme, no local ainda há canais de água, muitas curvas de nível montanha abaixo, casas e depósitos de alimentos do império inca. Não há muitas placas explicativas, então vale a pena pesquisar bastante sobre o local antes de ir ou contratar um guia.


Fizemos uma trilha meio curta, pois, além do nosso condicionamento físico não estar 100%, já estávamos bem cansados da viagem. Mas vale muito a pena visitar Pisac. Passamos boas horas conhecendo lá, embasbacados com a vista e com a tecnologia inca.





Já à tarde, pegamos estrada novamente e fomos visitar as Salineras de Maras. De Pisac até lá foi cerca de 1h30. Outro lugar top. na pequena cidade de Maras está essa extração de sal centenária, também construída pelos incas. A entrada é paga à parte, não está incluso no Boleto Turístico (20 soles/pessoa).



A salinera é formada por centenas de pequenos tanques de água muito salgada (natural, que sai das montanhas), e conforme a água evapora, vai formando uma “crosta” de sal na superfície dos tanques, que vão sendo retiradas com o tempo. Atualmente a salinera ainda está em funcionamento.


O tempo começo a fechar, e aproveitamos que já estávamos próximos, e fomos conhecer a Zona Arqueológica de Moray, ali pertinho. Paramos o carro no estacionamento, e já sob chuva forte, entramos no parque. Ali é aceito o Boleto Turístico. Conforme os atrativos vão sendo visitados, são feitos furos na frente do nome de cada atrativo que você conhece, o que não possibilita visitar mais de uma vez o mesmo atrativo com o mesmo boleto. São 16 atrativos, e 10 dias de validade.

Colocamos a capa de chuva e fizemos uma trilha curtinha da portaria até o mirante para Moray. Ali funcionava um importante centro agrícola do império inca. A vista é incrível: muitas curvas de nível em círculo feitas de pedra, muito grandioso. Como a região é extremamente montanhosa, essa era única forma de se conseguir plantar. Impressionante!


Ali por conta da chuva, não fizemos trilha, paramos no primeiro mirante, ficamos um pouco e já voltamos para o carro.
Bom, como já havíamos comprado nossa passagem de trem de Ollantaytambo a Águas Calientes (povoado de Machu Picchu), fomos direto até lá. Bom, Ollantaytambo na verdade é a última parada de trem pra quem vai de Cusco a Águas Calientes. Quem estiver de carro, compensa deixar o carro em um estacionamento em Ollantaytambo e pegar o trem de lá até Águas Calientes. Fica mais barato (foi o que fizemos). Resumindo, não tem como chegar em Águas Calientes de outra forma a não ser de trem. Há duas companhias que cobram o mesmo preço, e se prepare: bem caro!
Deixamos o carro no estacionamento, e fomos nos guichês da estação de trem. Como chegamos cedo, ainda tentamos trocar o horário da passagem, mas nada feito. Ficamos esperando mais de 2h. Conhecemos duas senhoras peruanas, e ficamos conversando. O trem chegou, e embarcamos, as 20h.


Por volta de 22h, chegamos ao povoado de Machu Picchu (Águas Calientes). A cidadezinha é bem pequena, vive exclusivamente do turismo e fica encravada nas montanhas. Super turístico e caro. Tem bastante estrutura de hotéis, bares e restaurantes.

Desembarcamos do trem, caminhamos um pouco com nossas malas até o Hotel Viandina Machupicchu. Preço bom (dentro do possível) e boa estrutura, com café da manhã. Fizemos check-in e fomos direto dormir. Na manh~seguinte teríamos que madrugar para comprar os ingressos para as ruínas de Machu Picchu.
Acordamos por volta das 4 da manhã, e fomos a pé até o Centro Cultural de Machu Picchu. Ali ficamos na fila, esperando até abrir (6h). Compramos as entradas. Apesar de tentarmos a todo custo conversar no guichê para comprar o ingresso para o mesmo dia, não cederam. Tivemos que comprar para o dia seguinte.
Bom, voltamos para o hotel, dormimos mais um pouco, tomamos café.

Já que teríamos que ficar mais um dia ali em Águas Calientes, tiramos o dia para descansar. Só saímos para comprar a passagem de ônibus para as ruínas e dar uma voltinha no povoado. O povoado de Águas Calientes é interessante, tem várias esculturas de pedra, um rio que corta a vila… dá pra passear um pouco ali sem gastar muito.



À noite saímos para jantar. Procurando bem, é possível encontrar refeições com preços justos

Dia seguinte, acordamos cedo e fomos na fila dos ônibus. Uma bagunça, rs… Muito turista, todo mundo formando fila no meio da rua, um monte de ônibus, guia de turismo chamando, etc. Depois de um tempo, pegamos nosso ônibus, e fomos subindo por uma estrada de terra até chegar na portaria do santuário pouco antes das 7h. Chegamos no Santuário de Machu Picchu!

Desembarcamos, e, na portaria ficamos na fila mais um pouco. Ali revistaram a mochila de alguns turistas (a nossa não), pois não pode entrar com alimentos nas ruínas. Seguimos.

Bom, quando compra a entrada para as ruínas, é possível escolher entre 3 circuitos. Pegamos o circuito 2, o chamado Circuito Clássico, que passa por dentro das ruínas. Ali tudo é sinalizado, e há seguranças espalhados por lá, então, tem que seguir o circuito certo, rs. Ao chegar, já é possível ver alguns muros de pedra, e logo a vista clássica do santuário. Muita gente, todo mundo desesperado pra tirar a foto famosona de Machu Picchu.



Como o tempo não estava muito bom (bastante neblina), não conseguimos uma foto das melhores, mas pode crer que estar ali é emocionante!
Machu Picchu ergue-se a 2.430 metros acima do nível do mar, no meio de uma floresta tropical de montanha, num cenário de extraordinária beleza. Na viagem já tínhamos vistos diversas ruínas, mas nenhuma como Machu Picchu. O local, a grandiosidade e a preservação do Santuário fazem com que seja realmente diferenciado. Não é à toa que é uma das maravilhas do mundo moderno!


Nos caminhos não tinha muita gente (confesso que achei que estaria bem mais lotado) – lembrando que fomos na baixa temporada (época de chuva).




É possível ver as paredes com pedras enormes, todas perfeitamente encaixadas, formando silos, templos, casas, guaritas, diversas construções.



Curvas de nível também são vistas ali!

Ao fundo, as montanhas Waina Picchu… não sei se na foto está muito visível

No final, acho que a neblina deu um charme especial às ruínas!


Depois de cerca de 2h de visita (é o máximo permitido), voltamos à portaria e pegamos o ônibus de volta. Chegamos em Águas Calientes por volta das 10h. Fomos direto à estação de trem, e compramos passagem para 11h. Como infelizmente estávamos com uns problemas pessoais em Botucatu que surgiram no final da viagem, começamos a apressar um pouco a viagem de volta. Acabamos pegando um trem mais caro para não ter que esperar o econômico, que sairia somente à noite.
Voltamos para Ollantaytambo em grande estilo (por falta de opção, rs). Trem com café, um monte de coisas, danças típicas, grupo musical tocando…


Chegamos em Ollantaytambo por volta das 13h. Pegamos o carro no estacionamento, e fomos até a entrada do parque. Deixamos o carro na rua. Logo na entrada, há uma feira de artesanatos. Passamos na portaria (lá é aceito o Boleto Turístico). Ollantaytambo, além da cidade – que é a única cidade inteiramente inca que ainda é habitada – é uma grande fortaleza em uma montanha.


A entrada já impressiona. Uma grande montanha, com vários patamares e observatórios. Em Ollantaytambo, a paisagem já é diferente. Mais pedregosa, menos verde. Porém muito interessante!

A vista lá de cima também é maravilhosa!


Na mesma ruína, há construções incas e pré-incas. Os muros feitos pelos incas têm as pedras perfeitamente encaixadas e alinhadas, sem nada para unir. Já nas construções pré-incas, as pedras são colocadas mais aleatoriamente, ficando espaços entre elas que normalmente eram preenchidos com barro e terra. Vale lembrar que os incas “aproveitaram” várias construções de povos que já existiam antes (e até que eles dominaram). Então é comum ver diferentes técnicas de construção nas mesmas zonas arqueológicas.





Já por volta das 16h começamos a voltar para Cusco. No caminho, paramos nas ruinas de Q’uenqo. Ali era um local ritualístico dos incas, com uma câmara subterrânea e mesas de sacrifício. Dali já é possível ver Cusco.



Também paramos nas ruínas de Saqsaywaman. Essas são muito legais, vale muito a pena conhecer! Pertinho de Cusco. (também aceitam o Boleto Turístico)




Ali era uma fortificação que protegia a cidade. Grande muralhas de pedra, paredes e guarnições. Tinham muitas famílias de peruanos e alguns turistas estrangeiros.

Tudo gramado, limpo e bem cuidado!

Chegamos em Cusco, no final da tarde, e ainda demos uma volta a pé. Vimos a majestosa Catedral de Cusco, e mais algumas construções do Centro Histórico. Fomos na Plaza de Armas, que, assim o como Ayacucho e Arequipa, tem os arcos diante da praça.



Também fomos cer a famosa Piedra de los 12 Ángulos, (mas essa acho que perdi a foto quando troquei o celular) que, como o nome diz, tem 12 cantos, e está perfeitamente encaixada em um mudo inca. Diz a lenda que ela segura toda a estrutura ao redor. E, bom, como tínhamos mais uma noite paga no hotel, voltamos pra lá dormimos e no dia seguinte, iniciamos nossa longa viagem de volta.
Como queríamos voltar logo, não fizemos muitas paradas. Somente o necessário: Abastecer, ir ao banheiro, comer e dormir. Foram 4.300km de Cusco a Botucatu, 5 dias voltando pelo mesmo caminho: Cordilheira do Andes (passando novamente pelo pico Abra Pirhuayani, a mais de 4.700m de altitude), selva peruana, Acre, Rondônia, Mato Grosso (onde tivemos mais um problema com a embreagem, mas seguimos viagem), Mato Grosso do Sul, e São Paulo. Finalmente Botucatu.
Resumo: 13.400km Rodados, 30 dias de viagem, 4 estado no Brasil e 6 regiões do Peru. Do calor e umidade da Amazônia ao frio e secura dos desertos do Peru, Oceano Pacífico, Cordilheira dos Andes e muita, muita coisa nova que vivemos nessa viagem!

