SUL, ARGENTINA E CHILE – DEZ/2012 (2)

Já em território argentino, atravessamos a cidade de Paso de los Libres, encostada no Brasil e seguimos pela Ruta 127 rumo ao sudoeste. Passamos por algumas cidadezinhas como Los Conquistadores, Federal e Bovril, mas não paramos. Mesmo não sabendo necas de espanhol, conseguimos entender bem as placas. Com um pouco de esforço conseguimos entender as pessoas e nos comunicar durante toda a viagem. Aliás, não levamos GPS, apenas alguns mapas impressos e pedimos informações todo o tempo. As rodovias argentinas (pelo menos as que passamos), em sua maioria são de pista simples, mas bem sinalizadas e com pouquíssimo movimento. Também não tem muitos pedágios, e a maioria custa cerca de R$5. O limite de velocidade nessas rodovias quase sempre é de 130 km/h pois são muito retas e planas. Na província de Entre Ríos (encostada no Brasil), fomos parados pela polícia argentina cerca de 5 vezes (em 500km de estrada), ou seja, quase todos os postos rodoviários nos pararam. No geral os policiais foram bem educados, mas perguntam sobre toda a documentação e itens obrigatórios. Como estávamos com tudo que era exigido, não tivemos problemas. Paramos na cidade de María Grande, e ficamos no camping do Termas de María Grande. Pagamos um valor quase simbólico para acampar, algo equivalente a R$5 cada um. O local para camping é bem gramado e plano, com muitas árvores. Pudemos parar o carro ao lado da barraca e tem muitas churrasqueiras, bancos e mesas, além de ser bem iluminado à noite. Os banheiros, impecáveis. Por mais o equivalente a R$20 (em pesos argentinos), pode-se usar as piscinas de águas termais (Obs: A água das piscinas é salgada !)

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Retas intermináveis

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Camping nas termas

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Piscinas de água quente e salgada

 De manhãzinha saímos de viagem, passamos pela cidade de Parana (passamos por um túnel sob o Rio Parana!), entramos na província de Santa Fé, e atravessamos a capital de mesmo nome (nos perdemos um pouco, porquê a cidade é bem grande), e continuamos mais uns bons quilômetros até a cidade de Rosario. A cidade, que é muito bonita, cheia de parques e monumentos. Saímos de Rosario por volta das 18h30 e paramos para dormir em um motelzinho barato em General Villegas. O interessante é que conforme fomos indo em direção ao sul, cada vez mais o sol demorava para se pôr. Nesse dia, anoiteceu às 22hs !

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Chegamos à Patagônia !

Acordamos cedo e continuamos na estrada. O clima e a vegetação cada vez mais secos ! Nessa região a vegetação já se apresentava bem escassa e ventava muito. Na Argentina, as regiões mais centrais e próximas aos Andes são mais secas, pois o ar úmido do Pacífico não consegue atravessar a cordilheira. Nesse dia percorremos cerca de 500km e paramos à tarde no Parque Nacional Lihue Calel. O parque fica próximo à cidade de Puelches, na província de La Pampa. A paisagem lembra o sertão nordestino. A entrada no parque é gratuita, e há área de camping (também gratuita !). O camping tem sombra, bancos, mesas, parrilleras (churrasqueiras) e tanques para lavar louça/roupa. Também tem banheiros com chuveiro quente.

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Entrada do Parque

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Área de camping

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Morro de rochas

O maior atrativo do parque é um grande morro de rocha vulcânica, que se ergue no meio da imensa planície argentina. Há uma trilha bem demarcada e sinalizada até o alto do morro, e não necessita guia para fazê-la. No parque há mais duas trilhas autoguiadas, sendo que uma delas leva até um sítio arqueológico e a outra acompanha um riacho até uma gruta com inscrições rupestres. Todas com placas explicativas e bem demarcadas. Pudemos ver diversas plantas e animais diferentes, inclusive uma aranha gigantesca e um guanaco (parente da lhama com  pêlos curtos).

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Subida do Morro

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Vegetação rasteira – Cactos !

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Aranha gigante !!!

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Topo do morro

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Guanaco

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Inscrições Rupestres

De volta à estrada, continuamos na Ruta 152, com suas retas intermináveis, e cada vez mais seco, fomos até General Roca e pegamos a Ruta 22 até a cidadezinha de Zapala. Passamos por Néuquen e Plottier, em um vale de um rio, bem irrigado, com várias plantações de frutas (especialmente maçãs). De Zapala fomos até Las Lajas, uma cidadezinha que venta absurdamente. Dessa cidade já é possível avistar a Cordilheira dos Andes. Nessa região começam a aparecer alguns riachos e lagos provenientes do degelo das montanhas. Andamos mais um tempo e começamos a subir a cordilheira. A estrada é boa e bem sinalizada, mas o vento é tanto que chega a balançar o carro. Em um momento paramos para tirar fotos, e foi até difícil de abrir a porta para sair do Uninho !

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Os Andes, lá no horizonte !

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Riachos aos pés das montanhas

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E o vento absurdo !

Chegamos ao Paso Pino Hachado (a divisa Argentina/Chile). Estacionamos, e com aquele vento entramos na aduana argentina. Chegando lá, fizemos os trâmites de saída do país (cerca de meia hora), e continuamos a viagem. Descemos a cordilheira e chegamos na pequena cidade de Liucura, já em território chileno e paramos na aduana. Fizemos o documento de entrada (válido por 90 dias) e tivemos o carro inspecionado, a procura de frutas e vegetais “in natura” ou carne fresca. Quem carrega esses produtos, ao atravessar alguma fronteira deve jogá-los fora ou consumir no local, enfim, não pode adentrar no país com esses itens. E no Chile, especialmente, fomos revistados com mais rigor do que na Argentina.

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¡ Bienvenido al Chile !

Ao contrário do lado argentino próximo aos Andes, no lado chileno ocorre o o contrário: A umidade do Pacífico fica do lado chileno, o que resulta em muitas florestas e rios (pelo menos do centro do país para baixo). Aliás, o Chile é perfeito para ser percorrido de carro, pois tem mais de 4.000km de norte a sul e cerca de 200km de leste a oeste, e a rodovia Panamericana, em bom estado e bem sinalizada percorre o país de cima abaixo, e outras estradas menores se ramificam a partir dela, dando os acessos laterais. Além disso, o país tem de geleiras (sul) até desertos (norte), passando por praias, florestas, lagos e montanhas. Continuamos a viagem, e pegamos a única chuva da nossa viagem, que durou apenas algumas horas. Atravessamos o túnel Las Raíces, e chegamos na cidade de Curacautín à noite (23hs). Dormimos no Hostel Epu Pewen, pagamos o equivalente a R$40 cada para dormir. O hostel é todo de madeira, tem calefação (à noite faz muito frio), e tem inclusive uma pequena parede de escalada na sala ! Usamos a cozinha do hostel para preparar nosso jantar, comemos e fomos dormir.

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Sala do Hostel

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Cozinha

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E o mascote do Hostel

Acordamos, tomamos café, hablamos muito portunhol com os donos do Hostel, e fomos dar uma volta pela cidade. Em seguida seguimos para o Parque Nacional Conguillio. Nos surpreendemos com a organização dos parques por lá. Todos limpos, com trilhas autoguiadas e bem sinalizadas, área de camping, etc. Quem administra é a CONAF, um órgão tipo o Ibama aqui no Brasil. Os parques de lá cobram o equivalente a R$10 ou R$15 para entrar, mas existe um Passe Anual, que custa R$40 e permite a entrada livre em todos os parques do Chile durante um ano. Fizemos esse passe já no Parque Conguillio. Nesse parque há um grande vulcão (inativo), lagos, e florestas de araucárias, que são muito grandes por lá. Tudo muito diferente aqui do Brasil. Também é bem comum por lá ver placas de alerta vulcânico, com um indicativo de como está a atividade na região. O chão e as montanhas do parque são todos cobertos por rocha vulcânica, que é bem escura e muito leve, parece Ovomaltine (rs). Essa tipo de rocha por muito tempo impede o nascimento de plantas no solo. Vimos o Vulcão Llaima (que dá para ver de quase todo o parque), visitamos também a Laguna Arcoiris, que tem um azul atordoante, fizemos a trilha Truful Truful, curtinha, mas dá acesso ao mirante da Cascada Truful Truful (uma cachoeira sensacional) e também ao Corte Geológico, que é tipo um canyon, com várias camadas. Incrível !

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Estradas do parque

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Centro de informações turísticas

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Alerta vulcânico

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Vulcão Llaima

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Laguna Arcoiris

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Belas vistas do parque

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Cascada Truful Truful

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Cortes geológicos

Seguimos para a cidade de Pucón, demos uma volta pela cidade, e depois visitamos uma feira de Artesanato Mapuche (índios nativos do Chile). Rumamos para a cidade de Villarrica, chegando lá à noite. A cidade fica às margens do lago mesmo nome. Dormimos em um camping na avenida do lago. Pagamos cerca de R$20, e o camping tem banheiros com chuveiro quente, espaços separados para as barracas e mesas com bancos, além de luzes e tomadas.

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Feira de artesanato

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Camping em Villarrica

No dia seguinte, andamos pela cidade, vimos o lago (que se parece com um mar, de tão grande e azul) e viajamos mais um pouco até entrar então no Parque Nacional Villarrica, também com nossos passes anuais. Fizemos uma pequena trilha em meio à floresta pinheiros, vimos rios e mais algumas montanhas ao redor. Saímos do parque, e entramos em outro setor, também do Parque Villarrica, o Sector Quetrupillán. Por volta das 18hs, paramos em um camping, particular, mas dentro do parque. Montamos nossa barraca e pagamos o equivalente a R$20 cada. O camping não tinha água quente, mas em compensação, havia uma cachoeira sensacional.

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Entrada do Parque Villarrica

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Trilha

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Rios de água de degelo

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Camping

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E a cachoeira !

Acordamos e fomos fazer a trilha para o Glaciar Pichillancahue (também no Parque Villarrica). São cerca de 8 km, passando por uma floresta de pinheiros, um bosque e montanhas (com solo vulcânico). No último trecho pegamos muito sol (não tem árvores), mas a vista do glaciar é muito bonita.

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Vista da floresta de Araucárias

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Chegando no glaciar

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Montanha coberta de neve

Voltamos a trilha, e seguimos viagem. Continuamos em direção ao sul, passamos ainda pelos Parques Nacionais Mocho Choshuenco e Huillo Huillo, mas não sei porquê diabos perdi as fotos desses lugares. Mas nesses dois parques acabamos não parando muito, porquê principalmente no último as atrações eram muito caras. Conhecemos também as cidades de Pucón e Panguipulli. Ambas muito bonitas. Dormimos em um camping (que era um quintal de uma casa à beira de um lago), e aliás, fomos muito bem recebidos pelo casal de senhores que moravam lá. Nos deixaram usar o banheiro de sua casa e conversamos bastante (mesmo não sabendo nada de espanhol). No dia seguinte, seguimos viagem e chegamos em Puerto Montt, uma cidade já ao sul do Chile, portuária, grande e movimentada.

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Puerto Montt

Dormimos em um camping, no meio da cidade (cerca de R$20, com boa estrutura). Lá conhecemos com uma família de Florianópolis que estava fazendo uma viagem parecida com a nossa, mas em um motorhome. Conversamos até tarde, e no outro dia fomos conhecer melhor a cidade. Fomos ao Mercado Municipal, que fica na região portuária. O mercado é todo de madeira, pintado de vermelho, bem diferente. Lá tem muitas bancas com uma infinidade de peixes e frutos do mar a preços muito bons (por exemplo, o filé de salmão defumado custava o equivalente a R$6 o quilo!), tem também algumas bancas de frutas, verduras, legumes, e coisas do tipo, além de restaurantes que servem pratos típicos. Almoçamos a famosa centolla, uma espécie de siri gigante (conhecido também como “king crab”). Depois do almoço passeamos pelas ruas da cidade. Ah, sim, e em Puerto Montt conhecemos o Oceano Pacífico. A água é de um azul que impressiona, mas a temperatura da água não é tão convidativa.

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Camping

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Mercado Municipal

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Peixes e frutos do mar

Puerto Montt era o ponto mais distante de nossa viagem. A partir de então, começamos a viagem de volta. E ainda conhecemos muitos lugares legais. Continua no próximo post !

 

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