PARAGUAI, ARGENTINA, CHILE E BOLÍVIA – MAR/2016 (1)

Mais um ano se passou e chegou a hora de aproveitar as férias com as sacrificadas economias desde a viagem ao Uruguai em março de 2015. Dessa vez rodamos 10.000km com a Montana e o Kit de Conversão em Motorhome, passando por 4 países além do Brasil: Paraguai, Argentina, Chile e Bolívia. Depois de quase um mês arrumando as bagagens, comida, revisando carro, calculando quilometragens, quanto gastar em cada lugar, roteiros, atrativos e documentações, chegou o grande dia. Primeiro de março, resolvemos algumas coisas pela manhã, e Revolteio na estrada!!!

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Arrumando as bagagens

Percorremos o estado de São Paulo e todo o estado do Paraná até o extremo oeste, já na divisa com o Paraguai. Pagamos 3 pedágios até a cidade paranaense Guaíra. Chegamos à noite e dormimos em um motel por lá mesmo. Custou cerca de R$60 a pernoite, com café da manhã. No dia seguinte atravessamos a grande ponte do Rio Paraná que divide os países, e entramos em território paraguaio. Como toda cidade paraguaia de fronteira com o Brasil, Salto del Guairá é lotada de Free Shops que vendem de tudo. Mas, com o preço do dólar a R$3,90 os preços não estavam lá muito convidativos.

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Ponte sobre o Rio Paraná

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Free Shops em Salto del Guairá

No Paraguai a gasolina estava mais barato que no Brasil (tipo R$2,50 o litro). Saímos dos Free Shops (sem comprar nada, rs), trocamos alguns reais em guaranis (moeda paraguaia), na casa de câmbios Alberdi (dizem que é onde tem a melhor cotação), e seguimos para a “imigración”, para fazer os trâmites aduaneiros. Depois de uns 15 minutos, com tudo nos conformes, seguimos viagem Paraguai adentro. As paisagens lembram muito o pantanal matogrossense. Muito mato e alagados ao redor da estrada.

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Chaco paraguaio

Passamos por algumas cidadezinhas, como San Estanislao e 25 de Diciembre (com várias polícias nos parando e pedindo documentos), até que chegamos no final da tarde à pequena cidade de Arroyos y Esteros. Lá fomos ao mercado, compramos algumas coisinhas para o jantar e pegamos uma estradinha de pedra até o Camping Puerto Naranjahai (R$25 por pessoa), que fica às margens do Rio Manduvira. O camping é muito bom, gramado bem cuidado, todo limpo, com muitas árvores, churrasqueira, e o rio também é muito grande e bonito. Para quem gosta de pescar, o lugar é perfeito. Como só nós estávamos acampando, o funcionário de lá nos deixou usar um quiosque com cozinha, banheiro e chuveiro quente. À noite fizemos um churrasquinho e um cachorro muito divertido nos fez companhia até o dia seguinte, quando fomos embora. Vimos também muitos animais por lá, inclusive um grande cercado com porco do mato, ema, patos, etc.

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Estrada para o camping

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Rio Manduvira

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Área de camping

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Cozinha/Banheiro

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Porco do mato

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Nosso amigo cuidando da churrasqueira

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Michelle no balanço

No dia seguinte, saímos do camping pela manhã, e seguimos por mais uma ou duas horas até o Parque Nacional Lago Ypacarai (o maior lago do Paraguai), onde está a maioria das cidades turísticas do país. O lago é muito grande, e fica a 1h da capital Asunción. Chegamos por volta das 10h da manhã em San Bernardino, à beira do lago. A cidade é muito bonita e limpa, bem turística. A praia do lago é cheia de bancos, mesas, um grande gramado e barracas de artesanato, e no centro há vários prédios históricos e um calçadão com bicicletas para usar, parede de escalada, pontos de energia solar para carregar notebooks e celulares, bancos, mesas, etc. Muito legal !

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Praia de San Bernardino

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Pontos para carregar celular

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Aproveitei para carregar o meu (e fazer um merchan do blog, rs)

Visitamos um centro de informações sobre o Lago Ypacarai (mantido pela Usina de Itaipu), vimos também um museu sobre a cidade, o Museo Cultural, com peças da época que os imigrantes alemães começaram a construir a cidade. Também há uma enorme praça na cidade, com a árvore mais antiga de lá, brinquedos para crianças, banheiros públicos, etc.

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Museo Cultural

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Arara azul, no quintal de uma casa

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Praça central

Fomos também ao Mirador Virgen de la Aparecida, subimos uma grande escada até o mirante, onde há uma enorme estátua da santa e vista para o lago. Nessa viagem, nos propomos a contribuir de alguma forma as pessoas e lugares que conhecemos, resolvemos pegar um pouco do lixo das trilhas que fizemos a pé, com o intuito de além de limpar o local, para que pessoas vissem e pensassem a respeito de recolher ou pelo menos não jogar mais lixo nos locais onde passam.

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Escada para o mirante

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Estátua da Virgem

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Lixo encontrado na trilha

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Almoçando à beira do lago

Fizemos nosso almoço à beira do lago, e saímos de viagem novamente. Seguimos até Areguá, também às margens do lago. A cidade tem uma Playa Municipal, mas não fomos porquê a entrada era cobrada, vimos pelo lado de fora o Castillo Carlota Palmerola, um castelo onde atualmente funciona um convento (mas no dia que fomos estava fechado para visitas). Depois, fomos à Avenida de los Artesanos, com inúmeras barracas de venda de artesanato, a maioria de cerâmica.

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Castillo Carlota Palmerola

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Avenida de los Artesanos

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Menino vendendo sonho

Já no meio da tarde, seguimos até o Parque Cerro Koi, um parque municipal de Areguá (gratuito), com uma trilha que leva até um morro de rochas vermelhas muito interessante. Do alto desse morro é possível ver a cidade e o Lago Ypacarai. Fizemos a trilha de cerca de 2km (pegando o lixo novamente), que não necessita guia, pois é bem demarcada.

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Entrada do parque

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Trilhas

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Cerro Koi

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Vista do Lago Ypacarai

Saímos do Cerro Koi no final da tarde, e seguimos viagem em direção à capital paraguaia Asunción. Passamos por Capiatá, que já fica na periferia da capital. Paramos no Museo Mitológico Ramón Elias, mas tinha acabado de fechar (que azar!). O trânsito em Capiatá é uma loucura. Todo mundo cruzando o caminho, motos, vendedores ambulantes, uma bagunça. E pra ajudar, chegamos lá por volta das 18hs. Ah, uma coisa curiosa que notamos no Paraguai é que nenhum motociclista usa capacete, e na estrada eles só circulam pelo acostamento.

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Capiatá – Periferia de Asunción

Chegamos em Asunción por volta das 19hs, com o dia ainda claro. Fomos ver um hostel para ficar nos dias seguintes para conhecer a cidade. Como eu já havia anotado alguns no Google Maps do celular, não foi difícil encontrar. Primeiramente fomos no hostel El Viajero, mas pelo preço não gostamos. Também não gostei do fato de não ter estacionamento (e no site hostels.com constava que tinha). Enfim, andamos mais um pouco, vimos mais uns preços, e ficamos no  Hostel Arandú, que, mesmo sem ter estacionamento ou piscina, na minha opinião foi o melhor hostel da viagem. A dona, super prestativa, o local limpíssimo, banheiros excelentes, com tudo funcionando, cozinha super limpa e organizada, e preço justo (R$25/pessoa – quarto compartilhado). Na frente do hostel tem um estacionamento particular bem barato (pagamos R$50 por 3 dias e 2 noites).

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Hostel Arandú – Excelente

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Cozinha do hostel

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Terraço

No dia seguinte, saímos a pé para conhecer a capital paraguaia, já que o hostel fica próximo do centro. Nós, brasileiros, em geral temos a impressão que o Paraguai se resume à feia Ciudad del Leste (ao lado de Foz do Iguaçu) – Já que cidades de fronteira normalmente são feias e bagunçadas. Mas nessa viagem, vimos que o Paraguai oferece muito mais aos turistas além das muambas da fronteira. O interior do país, apesar de pobre, é muito acolhedor e tem uma cultura indígena muito interessante, e a capital Asunción tem inúmeros monumentos, museus, prédios históricos e praças.

Logo cedo, ao começar a caminhada pela cidade, vimos vários “yuyeros”, vendedores ambulantes que preparam ervas medicinais maceradas em pilões para colocar no tereré (que é tipo um chimarrão gelado – a bebida nacional paraguaia). Por lá todo mundo toma esse mate gelado o dia todo, em qualquer ocasião. E colocam os “yuyos” (ervas) junto para tomar.

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Tereré – Bem vindos ao Paraguai !

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E os “yuyeros” por toda a parte!

Já no centro da cidade visitamos o Museu de Arte Guarani, que funciona na Senatur (centro de informações turísticas), vimos também o Panteón de los Héroes, um grande monumento em homenagem aos combatentes da guerra do Paraguai, mas estava fechado para reforma (só vimos por fora). Passamos por uma grande praça, cheia de barracas de artesanato em couro e “palo santo”, uma madeira escura e cheirosa, de uma árvore da região do chaco paraguaio.

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Artesanatos em couro

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Museo de Arte Guarani

Conhecemos a Plaza Uruguaya, muito arborizada e limpa, e o museu literário, que funciona na Casa Bicentenaria, muito antiga e toda restaurada.

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Casa Bicentenaria

Passamos pelo Museo Ferroviario, que funciona em uma grande estação desativada, e também a enorme Catedral Metropolitana de Asunción, construída em 1539.

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Museo Ferroviario

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Catedral Metropolitana de Asunción

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Interior da Catedral

Visitamos o museu Cabildo, em um grande prédio cor-de-rosa próximo à avenida costanera. A entrada é gratuita, e há várias salas com obras de arte e também peças indígenas e de arqueologia.

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Cabildo

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Peças de cerâmica indígena

Algo curiosíssimo que vimos no centro de Asunción, é uma imensa favela (sim, bem ao estilo brasileiro) em uma praça literalmente em frente ao Palácio Legislativo paraguaio. Talvez uma forma de protesto permanente, bem no centro político do país.

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Palácio Legislativo

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Favelas, bem em frente ao palácio

Um pouco mais à frente do Palácio Legislativo (um prédio moderno, todo espelhado que até destoa dos prédios históricos ao redor), fomos ver outro monumento, e o que nos chamou atenção foi a presença da polícia turística, que nos acompanhou até o local. Fomos também à Avenida Costanera, às margens do Rio Paraguay. Muito bonita, a ela margeia todo o rio. À frente, fica o Palacio de los Lopez, a sede do governo paraguaio. O prédio, de 1857, é muito grande e bonito. A entrada é proibida.

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Avenida Costanera – E o Rio Paraguay

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Palácio de Los López

Conhecemos o museu Manzana de la Rivera, uma casa bem interessante com uma sala dedicada à harpa – o Museo de La Harpa – o instrumento nacional.

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Museu de la Harpa

Voltamos ao hostel, almoçamos e à tarde voltamos ao centro, mas para pegar um ônibus (que é uma atração à parte) para o famoso Mercado 4, o mercado municipal de Asunción. Os ônibus urbanos são coloridos, cheio de adesivos e coisas penduradas. O motorista trabalha também como cobrador, enquanto dirige confere os trocos, etc. E a cada parada entra alguém vendendo alguma coisa – água, suco, refrigerante…

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Ônibus para o Mercado 4

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Chegando ao Mercado

Chegamos então ao Mercado 4. São barracas e bancas que vendem de tudo, desde frutas até roupas e eletrônicos. É muito legal, uma bagunça, todo mundo disputando preço, gente fritando hambúrguer, uma zoeira. Não queríamos comprar nada, fomos mesmo para conhecer. Comemos uma “hamburguesa” (um lanche de hambúrguer caseiro) – e estava bom, nem passamos mal (rs).

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Mercado 4

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Tendas e mais tendas

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Hamburguesa – Almoçando

Voltamos para o hostel já quase à noite. Jantamos, conversamos bastante com a dona e também com um casal de belgas, que estavam voltando de um mochilão pela América do Sul. No dia seguinte, acordamos cedo e fomos conhecer a Iglesia de la Encarnación, próxima ao hostel. É uma catedral gigantesca, mas, apesar de bonita, nos pareceu um pouco abandonada (pelo menos por fora).

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Iglesia de la Encarnacion

Por volta das 11hs, arrumamos as coisas no carro e pegamos estrada novamente. Saímos de Asunción, e chegamos em Jose Falcon (última cidade antes de chegar na Argentina). Lá trocamos os guaranis que haviam sobrado por pesos argentinos. Seguimos por mais alguns quilômetros e demos de cara com um pedágio. Putz. Desliguei o carro antes do pedágio e fui a pé até a cabine perguntar se aceitavam pesos argentinos. Ok, como era muito próximo à fronteira, aceitaram. Saí com o carro, paguei o pedágio e dei de cara com um posto de guarda. Pediram pra parar. Olharam os documentos, a capota, tudo certo. O único problema é que quando eu parei antes do pedágio, esqueci de acender o farol. E o guarda aproveitou para dar aquele sermão, que ia me multar, etc, etc… E eu tentei explicar que estava sem guaranis, que teria que voltar para trocar, mas nada feito. Até que ele me perguntou “Quanto vocês vão deixar aqui pra gente?” Bom, tentamos negociar, mas no fim da história tivemos que deixar R$50 para o churrasquinho deles.

Continua no próximo Post…

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