PARAGUAI, ARGENTINA, CHILE E BOLÍVIA – MAR/2016 (3)

Já em território chileno, começamos a descer a cordilheira. A paisagem não para de mudar; agora, no Deserto do Atacama, a vegetação se resume à alguns arbustos que não passam de um palmo de altura. Pouquíssimas plantas resistem à falta de água, solo pedregoso e a variação extrema da temperatura, que chega a oscilar mais de 30° no mesmo dia. Começaram a aparecer algumas montanhas com gelo no topo. Vimos também o vulcão Licancabur, sensacional.

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Vulcão Licancabur (à esquerda)

Ao lado da estrada, vimos também a Laguna Negra, no Salar de Tara, (ambos grátis) muito legal, a água da lagoa é tão quente que chega a sair fumaça. Mesmo brotando da terra a altas temperaturas, a água congela nas bordas do lago durante a noite e manhã por causa do frio. É um lugar muito louco, a água sai quase fervendo e congela em alguns minutos ! Ficamos com vontade de entrar na lagoa, mas fazia -1°, a gente não iria conseguir ficar nem um minuto sem roupa !

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Laguna Negra

Paramos em um mirante na beira da estrada para ver a Laguna Tara (grátis), com muita vegetação rasteira ao redor. A água, limpíssima, mas gelada. Pena minha máquina não estar com o zoom funcionando, no local haviam vários flamingos. As paisagens no Atacama são surpreendentes, muito diferentes para nós, brasileiros. Muda a cada quilômetro que passamos. Vimos salares, pedras, vegetação, lagoas, gelo, gêiseres, vulcões, etc. Tudo muito bonito e inusitado!

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Laguna Tara

Ainda na mesma estrada, paramos para ver os Monges de la Pacana, (grátis) umas formações rochosas enormes no meio do deserto, que têm esse nome pois lembram monges.

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Monge de la Pacana

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Michelle nas pedras

Ao lado da estrada, uma enorme fenda no solo me chamou a atenção, um canyon mesmo, parei para fotografar e nem consegui ver o fundo. Vish!

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Canyon ao lado da estrada

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Chegando em San Pedro de Atacama

Chegamos a San Pedro de Atacama, a cidade mais turística do deserto. A cidade é bem parecida com as do norte argentino. Todas as casas feitas de adobe, ruas de terra, poucas árvores… À noite muito frio, e durante o dia um sol de rachar. Muitos turistas, de toda parte do mundo, e uma infinidade de hostels, hotéis e hospedagens. Todas muito caras. Os mercados e restaurantes, também muito caros. Pelo turismo e também pela região não produzir praticamente nada de alimentos.

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Ruas de San Pedro de Atacama

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Igreja de San Pedro

Pesquisamos alguns hostels, mas custavam no mínimo R$70 por pessoa (quarto compartilhado!). Acabamos ficando no camping Casa del Sol Nasciente (também funciona um hostel). O camping é bem “meia-boca”, visto que a estrutura do local é quase toda para o hostel. A área de camping na verdade é o quintal do hostel, acho que não cabem mais de 10 barracas no local, e a cozinha é suja. Tem banheiros com chuveiro quente e nos deixaram guardar o carro na garagem durante a noite. Foi o lugar mais barato que encontramos, então ficamos lá. Pagamos R$25 cada a diária.

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Camping Casa del Sol Nasciente

Como os passeio com agencias de turismo também eram caros, fomos nós mesmos de carro conhecer algumas lugares do deserto. Primeiro, demos uma passeada pela cidade,  depois fomos até o Salar do Atacama, ver dois lagos redondos e idênticos, um ao lado do outro, chamados Ojos del Salar (Olhos do Salar, em português) – grátis. A água é limpíssima, mas geladíssima. Entramos em um dos lagos e ficamos alguns segundos (rs). O outro lago dizem que não tem fundo (deve ter, lógico, mas muitíssimo profundo – não quisemos comprovar, rs). Lá conhecemos um rapaz de Antofagasta (litoral chileno), conversamos bastante sobre os passeios, e tal. Ele também nos convenceu a conhecermos além de Antofagasta, a cidade litorânea mais ao norte chamada Iquique, segundo ele, muito mais interessante que a primeira.

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Ojos del Salar

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Água muito gelada e salgada

Voltamos à cidade, passeamos mais um pouco, fomos à uma feirinha de artesanato, fomos ao camping para dormir. No dia seguinte, acordamos às 4 da manhã para fazer um dos passeios mais legais da viagem: Os Geysers del Tatio.

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Feira de artesanato

O sol ainda nem tinha nascido quando nos levantamos com um frio de bater os dentes. Colocamos todos os nossos agasalhos possíveis, pegamos o carro e seguimos a estrada para os gêiseres. Um dado momento parei no acostamento para ver o céu. realmente, o céu do Deserto do Atacama é sensacional. Não é à toa que a NASA tem muitos observatórios por lá. Senti falta de uma câmera profissional naquela hora, mas me contentei em estar lá para ver aquele céu com meus próprios olhos. Muito claro, é possível ver constelações que eu nunca havia visto !

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Céu do Atacama – Até tentei, mas a câmera não ajudo muito…rs

Continuamos seguindo a estrada,  a altitude aumentando e a temperatura diminuindo na mesma proporção. Saímos de San Pedro de Atacama (2.500 metros) e estávamos indo a mais de 4.000 metros, onde estavam os gêiseres. A temperatura estava a 8° quando acordamos, e chegamos lá com -8° !!! Nunca tinha passado tanto frio na minha vida !

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Última foto que tirei do termômetro do carro

Chegamos aos Geysers del Tatio ainda à noite. O local é um parque, com estacionamento, portaria, banheiros e trilhas. Pagamos R$35 cada um para entrar, estacionamos o carro e começamos a ver a fumaça saindo do chão. E o frio chegava a doer…

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Fumarolas – iluminadas pelos faróis dos carros estacionados

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O dia amanhecendo e o frio ardendo

Andamos em meio as fumarolas e gêiseres, e o dia começou a clarear (mas o frio não deu trégua), aí então vimos a quantidade de gêiseres do local. Em alguns pontos, os jatos de água fervendo alcançam vários metros. Em outros locais, fica borbulhando em buracos na pedra.

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Água borbulhando

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Gêiser – jatos de água fervente

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Fumarolas

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O frio chegava a doer os ossos

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Muitos gêiseres

Depois de algumas horas de muuuito frio, mas impressionados com as paisagens, voltamos para o carro e fizemos um chá de coca para esquentar. E vimos que todos os vidros do carro estavam congelados !!! Tive que ir até um gêiser, pegar água quente com uma caneca e jogar no pára-brisas para descongelar !

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Vidros congelados

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Mesmo com gelo, acesse REVOLTEIO

 Lá pelas 9h da manhã, voltando dos gêiseres, vimos como a estrada para lá é bonita (não tínhamos visto na ida, por conta da escuridão). Várias lagoas com flamingos (que não consegui fotografar por falta de zoom na máquina), pequenos rios congelados, etc.

Também passamos por um pequeno povoado chamado Machuca, com uma iguejinha. Muito interessante, todas as casinhas feitas de adobe e cobertas com palha.

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Grama congelada

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Lagoas

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Povoado de Machuca

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Igrejinha

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Lagoa com flamingos (os pontinhos brancos lá longe, rs)

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À beira da estrada, um cânion enorme.

Passamos pelo camping, pegamos nossas coisas, e seguimos viagem. Deixamos de fazer alguns passeios “famosos”de San Pedro de Atacama, pois achamos os preços para entrar nos locais muito caro (ex, Vale de la Luna, Laguna Cejar, por volta de R$100 por pessoa cada um !), visto que poderíamos aproveitar melhor esse dinheiro no decorrer da viagem. Saímos de San Pedro, e seguimos em direção ao litoral chileno. Conforme fomos adentrando no deserto (próximo à cidade de Calama), o solo foi ficando tão seco, que não víamos sequer um único arbusto no decorrer de mais de 100km ! Vimos também algumas turbinas eólicas.

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Passamos também por várias mineradoras (a única fonte de renda do Deserto do Atacama além do turismo), e próximo à elas, um cheiro de enxofre e ácido horrível, e muita poeira. Paramos em um Posto de Atendimento das rodovias (grátis), muito completo, com banheiros, chuveiro quente, área para descanso, churrasqueira… Aproveitamos para tomar banho e dar uma descansada !

 Continuamos com as mesmas paisagens até chegar à outra cadeia de montanhas, que margeia o litoral chileno (e impede as nuvens vindas do Pacífico de chegarem ao Deserto do Atacama – e os Andes impedem as nuvens que vêm do leste, por isso é o deserto mais seco do mundo). Passamos entre as montanhas costeiras e chegamos à cidade litorânea de Antofagasta. Quem chega na cidade vindo do Atacama, a princípio tem uma impressão estranha. Dá de cara com o Oceano Pacífico, de um azul indescritível, e milhares de casinhas empilhadas na montanhas. Como a faixa de litoral é curta, as cidades não tem muito para onde crescer, a não ser morro acima (parece uma favela).

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Montanhas com as “favelas”

A cidade é bem grande, e mesmo estando em frente ao mar, não há nenhuma vegetação nativa. O centro de Antofagasta é bem bonito, tem vários prédios antigos, museus, etc.

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Prédios Históricos

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Reloj Inglés

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Barquinhos de pesca

Demos uma volta pelo centro, vimos que a cidade foi construída praticamente com o dinheiro da mineração. E de colonização inglesa. Vimos o Reloj Inglés, na praça central, e fomos até o posto de informações turísticas. O funcionário foi muito atencioso, no deu um monte de mapas, nos explicou coisas da cidade e passou uma lista de hospedagens. Consultamos, e tudo lá é muito caro. Não achamos nenhum hostel, pousada ou hotel por menos de R$90 por pessoa. saímos pela rua e perguntamos se havia campings… Nos informaram e chegamos a um camping que na verdade era um cercado na praia com uns quiosques, e cobravam R$50 por pessoa (sem água quente)! Próximo ao camping, começamos a reparar em algumas pessoas que estavam montando barracas na praia. Fomos até eles, perguntamos, e nos disseram que não tem problema acampar na praia por lá. Ótimo! Montamos acampamento!

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Acampamos na praia de Antofagasta

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Pôr do Sol no Pacífico

Nessa noite conhecemos um casal boliviano e a cunhada, que mora em Antofagasta. Estavam acampando na mesma praia, e super receptivos, ficamos conversando por horas. Nos deram muitas dicas sobre a Bolívia (defendendo Santa Cruz de La Sierra com unhas e dentes, rs), e depois, ainda nos deram um prato de churrasco (que estavam fazendo em uma fogueira na praia). Agradecemos muito, e fizemos umas tapiocas em retribuição.

No dia seguinte, acordamos cedo, desmontamos acampamento e fomos até a famosa escultura Mano del Desierto (Mão do Deserto) – Grátis. A escultura de concreto fica à beira da pista, a uns 40km ao sul de Antofagasta. A escultura em si é bem interessante, dizem que o artista que a criou não deu nenhum significado específico à obra, para que cada um a interpretasse como queira.

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Mano del Desierto

Voltamos para a cidade e demos mais uma passeada. Fomos ao mercado, e tudo lá é muito caro (e o próprio funcionário nos disse que Antofagasta é a cidade mais cara do Chile!). Conhecemos o Molle Histórico (grátis), um estaleiro de madeira muito antigo, com guindastes, todo restaurado, onde os navios eram abastecidos com os minérios extraídos nas minas. Fomos também, ao Museo Regional de Antofagasta, super organizado e completo, interessantíssimo, e gratuito! Com muitas explicações sobre os animeis da região e os antigos moradores. A região de Antofagasta já pertenceu à Bolívia !

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Molle Histórico

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Museu regional de Antofagasta

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No museu – Réplica de barcos feitos de couro de leão marinho

Fomos no mercado municipal, à beira do mar. Vendem muitos frutos do mar, peixes, frutas, legumes… Ao lado do mercado, um monte de leões marinhos ficam o dia todo esperando os trabalhadores locais jogarem peixes para eles… Às vezes até saem da água e ficam pertinho da gente para pegar os peixes! Muito legal !

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Mercado municipal da cidade

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Peixes, frutos do mar…

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Vish !

Já na saída de Antofagasta em direção ao norte, visitamos o Monumento Natural La Portada (grátis), que é um grande “portal” de pedra, natural, no Pacífico, próximo à praia. Paramos no mirante, e ficamos ali um bom tempo observando a paisagem, sensacional. Na base da Portada, haviam inúmeros leões marinhos. Pena que o zoom da máquina nã estava funcionando… Mas lá havia uma luneta, tentei fotografar pela lente dela. Talvez dê para ver os leões marinhos…

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Monumento Nacional la Portada

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Foto na luneta

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Ah, sim, lá tinha uma placa de alerta de tsunami, rs…

Fomos subindo o litoral chileno em direção à cidade de Iquique. Passamos pela cidadezinha de Mejillones, paramos na praia, tiramos algumas fotos e continuamos subindo. A estrada é muito bonita: À esquerda, o Oceano Pacífico, extremamente azul. À direita, gigantescas montanhas de terra e pedra, a perder de vista. Vez ou outra, alguma barraca de alguém acampando na praia. Todo o caminho extremamente seco, sem uma única planta.

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Praia em Mejillones

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Estrada litorânea – Atrás das montanhas, o deserto do Atacama

Viajamos a tarde toda nessa paisagem, até chegar quase à noite em Iquique. Menor que Antofagasta, mas bem mais limpa, bonita e principalmente mais barata. Em Iquique, as praias em areia branca (com mais cara de praia, em Antofagasta a areia é bem escura), a orla é um grande jardim, tudo muito bonito. Perguntamos a algumas pessoas onde poderíamos passar a noite, nos indicaram um estacionamento na orla da praia, em frente aos Carabineros (polícia chilena). Chegamos lá e vimos alguns motorhomes parados também, um monte de carros, carrinhos de lanche, um monte de gente caminhando, enfim, bastante movimentado. Fizemos o jantar (no carro), e dormimos por lá mesmo (no carro). Noite bem tranquila, acordamos e demos uma passeada pela cidade.

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Praia de Iquique

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Jardins da orla

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Praia, jardins e as montanhas ao fundo

Passeamos pela cidade, fomos até o porto, onde há um mercado onde são vendidos peixes e frutos do mar (comemos um ótimo ceviche e uma empanada de mariscos), e no mar uma tura de leões marinhos esperando o almoço (rs).

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Família de leões marinhos

Em Iquique há muitas casas de madeira muito antigas, de estilo inglês, com sacadas. Também um grande calçadão com postes e calçamento de madeira, muito interessante, lembrando uma cidadezinha de velho oeste.

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Casas de Madeira

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Calçadas também de madeira

Passamos também pela famosa ZOFRI (Zona Franca de Iquique), a mais importante do Chile, onde chegam os carros chilenos e mais uma infinidade de produtos importados, vendidos por bons preços. O local funciona como um grande shopping (Free Shop), mas acabamos não comprando nada. Meio da tarde, seguimos viagem para a Bolívia. Subimos as montanhas do litoral, e entramos no Deserto do Atacama novamente, agora cruzando o país de oeste a leste. Depois de percorrermos uma grande distância (uns 230km), chegamos por volta das 18hs a um posto policial da pequena cidade chilena de Ujina. Viram todos os nossos documentos, e perguntamos sobre as condições da estrada que leva à cidade chilena de Ollagüe, na fronteira com a Bolívia.

Nos explicaram que a estrada dali até Ollagüe é de terra, e tem tem cerca de 70km, e que se quiséssemos ir por asfalto, teríamos que voltar até Calama (perto de San Pedro de Atacama) para depois ir até a fronteira, o que daria mais de 500km. Obviamente preferimos percorrer os 80km de terra (escolha errada, como vocês vão ver mais adiante). Os carabineros (policiais) nos pediram para quando chegar a Ollagüe, pedir à polícia de lá ligar para eles para avisar que chegamos (…vish…). Beleza, o dia ainda estava bem claro, e como eram só 70km, seguimos viagem pela estrada de terra.

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E a estrada era muito bonita !

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Salares, lagunas…

Cordilheira dos Andes + Estrada de terra + Final da tarde. É claro que não iria dar certo. Os 20 ou 30km iniciais da estrada ainda estavam bons, depois começaram a aparecer mais pedras e buracos. E a temperatura caindo… Não tinha reparado ainda, mas em meio às montanhas, o dia escurece mais rápido… E não vimos absolutamente nenhum carro nessa estrada. Então comecei a correr para não chegarmos tão tarde. Mais uma cagada. De repente, passei em um buraco, e depois de um solavanco, vi a calota do carro passando ao meu lado, rs… Mas na hora não teve graça.

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Estrada bonitinha mas ordinária, rs

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E escurecendo… e esfriando…

Parei pra ver o que tinha acontecido, e ao passar no buraco, a roda amassou e o pneu esvaziou na mesma hora! Troquei, e seguimos em frente. E a estrada piorando, piorando… E já estava à noite. Teve hora de eu ter que para o carro e descer com a lanterna para ver por onde dava para passar… Perrengão!

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Vish…

Já no final da estrada, vi uma placa com os dizeres “CAMINO HABILITADO SOLO PARA VEHICULOS 4×4” – Imagine como era a estrada. Enfim, chegamos à minúscula Ollagüe quase às 22hs. Sim, percorremos cerca de 80km em quase 4hs, tal era o estado da estrada. Na cidade chegamos a um lugar onde acreditamos ser a polícia, mas na verdade era a aduana. E ao contar ao senhor que trabalhava lá, ele nos deu um baita sermão, disse que a estrada que passamos era proibida, por ser uma estrada fronteiriça usada por bolivianos para trazer coisas da zona franca de Iquique (ZOFRI), enfim, desde o início, um caminho totalmente errado, rs. Depois fomos à polícia (aí sim), que ligou para a polícia de Ujina, e explicou o ocorrido. Depois de todo o perrengue, achamos uma pousadinha e caímos na cama.

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Pousada – Descanso merecido

Acordamos cedo, (friiio) pagamos a pousada (R$35 cada), fomos até o exército da cidade e pedimos ajuda para arrumar a roda do carro, já que não avimos nenhuma borracharia por lá. Esperamos o mecânico do próprio ajuntamento, que trouxe um martelo (achei que precisasse de uma marreta, ou alguma ferramenta que eu não tivesse no carro, rs) e eu mesmo acabei desamassando a roda. Agradeci a ele e a ajuda do exército. Depois, encontramos um senhor que tinha um compressor de ar, e encheu o pneu para a gente.

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Esperando o mecânico do exército… (Atenção para a roda na calçada)

NOTA: No começo da viagem, eu tinha um projeto na cabeça: Fabriquei e levei um monte de plaquinhas (feitas de lata de calha e pintadas de branco, no formato do logo do REVOLTEIO), e iria utilizá-las principalmente em estradas de terra que não têm indicação de lugares. Levei para escrever nas placas umas letras de stêncil (feitas com chapas de radiografia cortadas) e dois sprays pretos. Mas lá não tem onde pregar as placas ! Lá só tem pedra e terra, rs !

Por fim, depois do senhor ter enchido o pneu para a gente, resolvemos fazer duas plaquinhas para ele colocar em frente à sua oficina (não havia nada escrito lá). Uma escrito “AIRE” (Ar em espanhol) e outra escrito “TALLER” (Oficina). Demos a ele, e ele ficou feliz da vida ! Foi uma das coisas muito legais que aconteceram da viagem !

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Fazendo a placa

Substituí o estepe pelo pneu, e fomos para a aduana. Depois de uma pequena fila de imigrantes bolivianos, fizemos a documentação de saída do Chile, e fomos para a aduana boliviana.

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Placa de índice de radiação ultravioleta na aduana chilena

Sem problemas, nos deram a famigerada “Declaración Jurada”, preenchemos alguns documentos, e nos cobraram uma taxa de 3.000 pesos chilenos (tipo uns R$15) para uma tal inspeção obrigatória. Dissemos a eles que estávamos sem trocado, e depois de um tempo, deixaram a gente passar sem pagar essa taxa (Estranho… a taxa não era obrigatória?) Depois soubemos que essa inspeção só é feita em caminhões e ônibus. Sacanagem ?

Passamos então uma cancela de madeira, e pronto ! Estávamos na Bolívia !

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Bienvenido

Continua no próximo post…

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2 comentários sobre “PARAGUAI, ARGENTINA, CHILE E BOLÍVIA – MAR/2016 (3)

  1. Olá, adorei seu post, me ajudou muito. Se possível poderia me esclarecer uma dúvida, os lugares que percorreu, foi tranquilo????? alguns falam que precisam de veiculo 4×4??? irei tb, mas de carro popular. Abraço.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi Claudia! Fomos de carro popular (picape Montana 1.4).
      Pelo menos as estradas que passamos nessa viagem e nas ateriores: Uruguai, Paraguai, Argentina e Chile, as estradas são boas, alguns trechos (poucos) de terra ou asfalto ruim, mas nada muito diferente do que costumamos pegar aqui no Brasil. Dá pra ir de carro popular sim. Bolívia já é outra história… Rodamos bastante por lá, conseguimos visitar tudo que queríamos com a Montana, mas não recomendo. Estradas muito ruins (a maior parte terra ou asfalto horrível), muitos pedágios e polícia muito corrupta. Judiou muito do carro e mais ainda dos passageiros!

      Curtido por 1 pessoa

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