CHAPADA DIAMANTINA/BA – JUL/2012

Chegaram minhas tão esperadas férias ! Um mês para viajar, tranquilo ! Na semana anterior às minhas férias, estava em São Paulo a trabalho, e dois dias antes de voltar para Bauru, deixei o carro na rua e um FDP arrombou a porta e roubou o rádio e o estepe. Pois é, começamos bem as férias. Aproveitei que estava em SP e já comprei um radinho novo vagabundo na Santa Efigênia. Até aí, tudo bem, mas a porta do passageiro não estava mais fechando. Fizemos uma gambiarra e viemos com a porta amarrada de São Paulo a Bauru. Cheguei bauru, comprei um estepe barato e Levei o carro no mecânico. Ele me pediu duas semanas para trocar a porta. Essa não! Minha viagem estava ameaçada! Depois de pensar muito, pedi para o mecânico dar um jeito de trancar a porta para viajarmos. No dia seguinte cedo, Revolteio partindo de porta fechada, seguimos até Sete Lagoas, em Minas Gerais, passando pela região de Furnas, também em MG. Dormimos em um motelzinho em Sete Lagoas, e no dia seguinte conhecemos a Gruta Rei do Mato. A gruta fica em um parque municipal, muito arrumadinho, com caminhos pavimentados, árvores e um centro de visitantes. Pagamos cerca de R$5 por pessoa para entrar. Uma guia nos acompanhou no passeio. A caverna é iluminada e tem passarelas. Tem espeleotemas interessantes (estalactites, estalagmites, colunas).

Lago de Furnas

 

Gruta Rei do Mato

 À tarde, no mesmo dia ainda fomos para Lagoa Santa, para conhecer mais um atrativo mineiro: A Gruta da Lapinha. Essa gruta fica em no Parque Estadual do Sumidouro, e é bem diferente das que tínhamos conhecidos até então. Ela passa a impressão de ser mais “seca”, tem formas curiosas em seus túneis, e é possível observar as marcas dá água que formou as galerias há milhares de anos.  Essa gruta é iluminada, mas não tem passarelas como a Rei do Mato. A entrada custava R$10 e um guia acompanha o grupo para conhecer a caverna.

 

Caminho para a gruta

 

Gruta da Lapinha

 Continuamos viagem até Teófilo Otoni, ainda em Minas Gerais. Dormimos em um motelzinho de beira de estrada, e no dia seguinte conhecemos a cidade. A cidade é bem conhecida por suas pedras preciosas e semipreciosas. No centro da cidade há uma pracinha onde vários comerciantes vendem e compram pedras. Também tem algumas galerias próximas que também vendem bijuterias e artesanatos em pedra, onde se pode comprar coisas legais a preço justo. Também conhecemos o mercado municipal da cidade, que também vale a pena visitar. O norte de Minas Gerais já é bastante quente e seco, e a vegetação começa a ficar mais e mais escassa, já lembrando o sertão nordestino.

 

Chegando em Teófilo Otoni

 Pedras e mais pedras


Almoçamos e seguimos viagem, entramos na Bahia, passamos por Vitória da Conquista e só paramos paramos para dormir em uma pousadinha em Barra da Estiva, já bem próximo à Chapada da Diamantina. Custava cerca de R$30 por pessoa com café da manhã. Acordamos, tomamos café na pousada e continuamos a viagem. Ainda de manhã, chegamos na primeira cidade da Chapada: Mucugê. Logo que chegamos à cidade, já vimos um atrativo, o Cemitério Bizantino, que paramos para conhecer. Apesar de ser um cemitério, é bem interessante, pelo fato de ser localizado na encosta de um morro de pedra, e os túmulos serem todos brancos e parecerem pequenas igrejas.

 

Chegando em Mucugê

 

Cemitério Bizantino


Entramos na cidade e conhecemos o Mercado Municipal, que é bem pequeno, mas nesse mesmo dia estava acontecendo uma feira ao lado do mercado, bem legal, com bastante produtos típicos e artesanatos.

Tapetes de palha na feira

  Depois de conhecermos o mercado municipal e a feira, fomos pegamos o carro e fomos visitar a Lapa do Bode, que fica a alguns quilômetros de Mucugê. Na beira da estrada (asfaltada), tem um barzinho com placas indicando a caverna. Então, pagamos R$10 no bar mesmo e o dono da propriedade nos guiou por alguns minutos para a caverna. Ele leva um lampião de gás para iluminar e empresta os capacetes. A caverna é bem seca e sedimentada, com areia no chão. Segundo o guia, o nome da caverna vem de uma ossada de bode encontrada dentro dela.

 Entrada da gruta

Lapa do Bode


Continuamos o passeio. Ainda no mesmo dia, seguimos viagem até o Poço Encantado, por volta de 40km de Mucugê. A caminho da cidadezinha Itaetê. Nessa região já da para ver como é seco o interior da Bahia. Há também algumas casas de adobe pelo caminho. Estávamos em meio ao sertão nordestino ! Chegamos ao poço encantado, e pagamos R$10 cada um para visitar. Um guia nos acompanhou para dentro de uma grande gruta e dentro dela um grande lago de um azul que eu nunca tinha visto igual. Ainda demos a sorte de ver o raio de sol que entra por uma abertura sobre o lago. Pena que não é permitido entrar na água.

 

Casa de adobe

 Poço Encantado


Na entrada da propriedade, tem um pequeno restaurante. Almoçamos por lá e comemos carne de bode. Muito boa por sinal, vale a pena experimentar.

Carne de bode, farofa, salada… E pimenta!

Já de barriga cheia, fomos em direção à mais uma atração da Chapada: O Poço Azul. Voltamos sentido Mucugê, e em um dado momento, pegamos uma estradinha de terra com a indicação para o poço. Mais algumas bifurcações, e chegamos à margem de um rio. Um rapaz em uma canoa nos disse que deveríamos deixar o carro ali e fazer a travessia de canoa para chegar ao atrativo. Pagamos cerca de R$5 cada para atravessar e chegamos ao local. É tipo uma fazenda, onde fomos recebidos. Pagamos R$20 cada, e nos emprestaram papetes, colete salva-vidas e snorkel com máscara de mergulho. O guia nos levou ao local. Descemos por uma escadinha de madeira e adentramos uma caverna. Lá dentro, há um deck de madeira e um lago que parece miragem. Azul, muito forte, e a água muito cristalina. E a temperatura bem agradável. O lago tem mais de 20m de profundidade e é possível enxergar o fundo, tamanha transparência da água.


Travessia do rio


Descida para o poço

Poço Azul


Por volta das 16hs seguimos viagem, e paramos na cidade de Andaraí. É uma cidadezinha bem simpática, tem um centro histórico, e como era julho, ainda estava com os enfeites das festas de São João. Demos uma voltinha por lá e fomos procurar lugar para dormir. Como não achamos camping, ficamos em uma pousadinha simpática e bem barata ($15 cada), chamada Pousada Harmonia, administrada por um senhor uruguaio, também muito receptivo. Nos deixou usar sua cozinha para fazermos nosso jantar.

Rio ao lado da estrada

Centro de Andaraí com as bandeirinhas de São João

No dia seguinte seguimos cedo para a cidade de Iraquara, já bem ao norte da chapada. Depois de umas duas horas de viagem, pegamos uma estrada de terra rumo à Gruta da Torrinha. Essa caverna talvez seja uma das mais belas e interessantes que eu já visitei. pagamos cerca de R$60 cada, que valeu cada centavo. O guia também favoreceu, pois explicou tudo o que havia na caverna, com muitos detalhes e paciência. A área aberta a visitação (que conhecemos) da caverna tem cerca de 1,5km de extensão. A caverna é riquíssima em espeleotemas, possui estalactites (teto), estalagmites (chão), helictites (tipo estalactites que descem depois sobem), flor de aragonita, bolhas de calcita e agulhas de gipsita, etc. Também possui uma formação que parece uma miniatura do Morro do Pai Inácio, cartão postal da chapada.

Quer saber mais sobre cavernas? Confira nosso post Especial – Mundo Subterrâneo

Bolhas de calcita

Cortinas

Flores de aragonita

 Miniatura do Morro do Pai Inácio

Saindo de lá, por volta das 14hs, fomos conhecer a Gruta Lapa Doce, a 12km do município de Iraquara. Essa gruta é bem alta e espaçosa, nem parece que estamos em uma caverna. O preço da entrada era R$20 por pessoa e um guia nos acompanhou. O percurso é menor que o da gruta anterior, mas também vale muito a pena o passeio. O local que a gruta fica parece um canyon, muito interessante. No local também há um umbuzeiro muito antigo.

Umbuzeiro

Entrada da gruta

Rabo de baleia – formação calcárea

  Mais no final da tarde, ainda tivemos tempo para mais dois atrativos: A Gruta Azul e a Gruta da Pratinha. As duas ficam na mesma propriedade, e pagamos R$20 cada para conhecer as duas. Na Gruta Azul há um poço, mas é proibido o banho. Já na Gruta da Pratinha, em frente à gruta há um grande lago azul-claro, e a água entra na gruta. O valor pago na entrada dá direito a pés-de-pato, snorkel e máscara, colete salva-vidas e lanterna à prova d’água. Um guia nos conduziu em um grupo de cerca de 7 pessoas para dentro da gruta (nadando, pois o local não dá pé). A sensação de estar nadando dentro de uma caverna no começo é meio assustadora, mas depois de alguns minutos você se acostuma. A beleza do lugar é indescritíve!

Gruta azul

Lagoa da Pratinha

 Entrada da gruta

Gruta da Pratinha

  Já no finalzinho do dia fomos para o Vale do Capão, uma vila rural bem pequena, com um clima super legal, todo hippie, natural. Mas cheio de turistas, brasileiros e gringos, o que faz os preços do local serem proibitivos. Estávamos querendo fazer a trilha do Vale do Paty, a mais conhecida da chapada (e uma das mais do Brasil), mas o preço que o guia pediu na ocasião nos fez desistir do passeio. Enfim, demos uma voltinha pela vila e dormimos em um camping (R$30). Lá conhecemos uma moça portuguesa chamada Sofia, e conversamos muito. Ela nos disse que durante a época de colheita de frutas e flores na Europa ela trabalha (durante 3 ou 4 meses), e o resto do ano viaja de mochilão pelo mundo, e normalmente consegue hospedagem pelo site Couchsurfing.

Vale do Capão

 Cozinha do camping

No dia seguinte, acordamos cedo, eu, a Michelle e a Sofia (a portuguesa) e fomos conhecer o maior atrativo do local, a famosa Cachoeira da Fumaça. Na época, no comecinho da trilha havia um quiosque de uma associação de guias, que cobravam R$10 por pessoa para acompanhar até a cachoeira, mas como não era obrigatório, e as trilhas bem demarcadas, fomos sem o guia. a trilha tem cerca de 10km ida e volta, mas a ida é bem íngreme e o sol é inclemente. Mas a paisagem é bela do início ao fim da trilha. Chegando no alto, vê-se que a água é meio marrom, cor de Coca Cola, por causa da matéria orgânica (folhas e vegetais). Chegamos então na cachoeira. É vista de cima, e tem uma pedra que avança no penhasco e dá para ver a queda lá de cima. É absurdamente alta! Tem quase 400 metros de queda (a segunda maior do Brasil), e a água não chega nem a tocar o chão, tornando-se uma névoa (daí o nome da cachoeira).

Trilha de ida

Cachoeira da Fumaça

380 metro de queda!

Voltamos a trilha, e continuamos a viagem, acompanhados da Sofia.  Por volta das 15h, paramos no Rio Preto, à beira da estrada. Tem uns bares nas margens, onde o pessoal aproveita o dia. Que água gelada ! Mas mesmo assim demos uma nadada.

Rio Preto

Já pelas 17hs chegamos ao Morro do Pai Inácio (entrada gratuita), uma das mais belas vistas da chapada. Subimos o morro por uma trilha leve (um pouco íngrime) e ficamos lá em cima até o sol se pôr. Foi sensacional !

 

 

Vista de cima do morro

Pôr do sol

 

Cruz em cima do morro


Fomos então até a cidade de Lençóis, a maior e mais estruturada da Chapada Diamantina. Lá tem bastante hotéis, pousadas, mercados, etc. Achamos uma pousadinha barata, e fomos dar uma volta pela cidade. Lá tem um centro histórico todo calçado com pedras e um rio que corta a cidade. No dia seguinte, nos despedimos da Sofia (que no dia seguinte iria para a Chapada dos Veadeiros, em Goiás) e fomos conhecer melhor o centro histórico da cidade.

Centro histórico de Lençóis


Depois, ainda fomos conhecer a Cachoeirinha e o Salão das Areias Coloridas. O salão é uma espécie de gruta, com várias pedras nas paredes, cada uma de uma cor, e soltam pó nas mãos, é bem diferente.  O pessoal da cidade disse que precisa pagar um guia para chegar aos locais, mas os locais eram próximos da cidade. Fomos por conta e risco, sem guia. Encontramos mais três jovens que estavam indo sem guia e fomos todos juntos. Nos perdemos um pouco (o lugar parece um labirinto de pedras), mas encontramos os atrativos.

Pessoal perdido nas pedras

Salão das Areias Coloridas

Cachoeirinha – Gelada !!!


No final da tarde fomos para outra cidade, Igatu, uma cidadezinha muito legal, toda de pedra, ao lado de Andaraí. Lá conhecemos o Ponto do Amarildo, que nada mais é do que a casa desse morador, que vende umas bugigangas, conhece e tem registro de todos os moradores da cidadezinha. Vale a pena parar e conhecer essa figura. Depois, encontramos um camping, mas ao montarmos a barraca, notamos que nosso equipamento de cozinha ficou na pousada em Lençóis. Putz! Desmontamos tudo, voltamos para Lençóis já à noite, pegamos as coisas na pousada e voltamos para Andaraí, dormir na Pousada Harmonia! Ufa!

Chegando em Igatu

Ponto do Amarildo

  No dia seguinte fomos novamente a Igatu. Fomos fazer escalada, com uma agência chamada Igatu Escalada Trekking. Escalamos a manhã tod!

 Local onde escalamos

Escalando!

Depois do almoço, pegamos estrada novamente. Era hora de voltar. Mas ainda conhecemos muitas coisas legais no caminho. Paramos para dormir em Salinas (Minas Gerais), a cidade da cachaça. Dormimos em uma pousadinha barata (uma casa com 3 quartos, até usamos a cozinha para fazer o jantar). No dia seguinte conhecemos o Mercado Municipal (muito legal, por sinal, até almocei por lá), e fomos até a cachaçaria da marca Seleta. Lá, o dono da cachaçaria, muito simpático, o Sr. Antonio Rodrigues nos apresentou o local, nos levou até a tanoaria (onde são fabricados os tonéis de madeira) e também à fábrica da cachaça. Muito simpático, nos deu vários brindes e amostras da cachaça.

 

Mercado Municipal

 Cachaçaria Seleta

 Fábrica de cachaça


Continuamos a viagem, seguimos até a cidade histórica Diamantina, também em Minas gerais onde chegamos já à noite. E como são caros os hotéis e pousadas por lá! Procuramos muito e encontramos uma pousadinha que milagrosamente nos cobrou R$40 por pessoa a noite (com ar-condicionado e café da manhã). Foi o que achamos de mais barato. Dica: As ruas da cidade são íngremes e todas de pedra. Vale a pena deixar o carro na pousada e conhecer a cidade a pé.

Igreja Matriz

Vielas de Diamantina

Casarões antigos

E muitas igrejas

Saímos de Diamantina, e fomos em direção à cidade histórica de Serro, passando ainda pelas cidades de Datas e Presidente Kubitschek.Serro é bem pequena, mas tem sua graça. É bem famosa pelo Queijo Serro (uma variedade do queijo minas), e tem uma igreja no alto de uma escadaria, a Capela de Santa Rita. Tem também muitas construções históricas, além de lojas de artesanato e doces.

Capela de Santa Rita

Centro histórico de Serro

No mesmo dia, ainda tivemos fôlego para continuar a viagem. Seguimos conhecendo alguns bairros rurais próximos a Serro, como o de Milho Verde, que tem rios e cachoeiras belíssimos. nesses lugares, parece que as pessoas vivem em outro ritmo, ainda pudemos ver mulheres lavando roupa no rio!

Lavando Roupa

 Estradas de Minas Gerais

Pedras e riachos

Seguimos viagem por longas e empoeiradas estradas de terra até Conceição do Mato Dentro, para conhecer a Cachoeira do Tabuleiro (uma das maiores do Brasil), mas devido às chuvas, o volume de água da cachoeira aumentou muito e não estava permitida a entrada. Então dormimos em um motelzinho e retornamos a Bauru. E finalmente consertamos a porta do carro ! Ufa !

 

Confira nossos posts sobre a Chapada dos Veadeiros e a Chapada dos Guimarães!

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2 comentários sobre “CHAPADA DIAMANTINA/BA – JUL/2012

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